Qual a melhor oportunidade de ver todos os seus parentes???? Desde os mais próximos que você não tem coragem de ligar, até os mais longíqüos, aqueles que você até esquece do nome, da fisionomia, e ainda tem aqueles que nem conhecemos, e que somos apresentados e ambos ficam com aquela cara de “oi tudo bem, o que eu falo agora?”, afinal você nunca viu aquele ser em sua frente… Pois é se você pensou, se esforçou mas a resposta não veio em sua mente, vamos desvendá-la agora, No velório de algum parente, isso mesmo sabe aquele tio que você nem sabe de onde saiu, que você nem notou a presença dele entre a vida dos seres do planeta Terra, sim esse tio que você nem conhece serviu para uma coisa, reunir os parentes no velório, e fazendo a maior confraternização entre pessoas de uma mesma família e afins, o Velório.
Bom falar de velório nem sempre é celebrar a morte, na maioria das vezes o morto, é apenas um detalhe, ademais que as casa funerárias estão tão equipadas e os cemitérios tão modernos que você em dada hora, começa a viajar refletindo o que você está fazendo ali, naquele lugar tão pitoresco, mas enfim o que tenho pra falar, não é sobre cemitérios, casas funerárias, lágrimas e dor, o que quero mostrar é um lado inverso a toda a dor que a morte traz e como realidades tão contrárias, dor e alegria, se misturam, se encontram e convivem no momento de um velório de um parente.
Chegando no Velório: Você chega ao velório e já logo avista na porta aqueles seus primos capetas, que te enchiam o saco quando eram crianças, e advinhe o que eles estão fazendo? Isso mesmo que você pensou, rezando para o morto, balela, o que eles estão fazendo? Contando piada, contando aventuras sexuais, falando de balada, ou seja conversam de tudo menos de morte.
Superado a entrada, adentrando o local, você já olha no canto aquelas vizinhas fofoqueiras bem ao lado do cônjuge sobrevivente ou dos filhos que na verdade são os únicos que estão no clima fúnebre, você chega e passa ser o assunto de tais fofoqueiras, do outro lado da urna funerária onde se encontra o desafortunado, sempre, quando eu digo sempre é sempre mesmo, localizam-se em média de 3 a 4 tiozinhos que acompanhavam o falecido nos bares da vida, ou seja a descrição deles é a seguinte, frisando que o figurino pode variar um pouco, assim são trajados: calça social surrada, camisa de botão ou camisa polo, com uma camiseta regata branca por baixo, cinto todo desbeiçado, braguilha aberta, lenço no bolso de trás da calça aparecendo, chinelo de dedos ou um tênis que não combina em nada com o resto da roupa, cabelo quando tiver, penteadinho para trás estilo lambido, a coloração de sua cutis é levemente vermelha devido a sua dedicação de anos a degustação de “rabo de galo”, e aquele cheirinho tradicional de cana.
Bom o que sempre acontece é a visita estilo relógio cuco, ou seja, você entra reza pelo morto, põe sua mão, sobre a dele, faz o sinal da cruz e sai da sala, fica na recepção saguão, toma um café e começa a passar pelas situações mais bizarras, e os acontecimentos sempre seguem uma ordem que será a seguinte:
* Encontro com um amigo(a) de infãncia de seus pais, ele(a), vai te cumprimentar, vai comentar que carregou você no cólo, te viu nascer, bla bla bla, e vai olhar para seus pais e vai dizer: - Nossa como o tempo passa, até esses dias nossos filhos eram todos crianças. Frise-se que esse comentário não necessita que você tenha uma idade avançada, serve para pessoas de idades de 7 anos em diante.
Você após se livrar da sessão túnel do tempo entre seus pais e o amigo, continua andando e daí num golpe fulminante o destino lhe prega uma peça, você encontra aquela tia chatona que se pendura em seus braços e te leva pra conhecer todos os seus supostos parentes que você nem sabia da existência, e tal sessão conheça a família se dá, desta maneira:
* Aprensentando você para um ser bem velhinho (pode ser homem ou mulher)e sua tia fala assim aos berros, pq a pessoa não ouve bem: -Fulano, lembra da Maria, que casou com o Pedro? ( Maria e Pedro exemplo de nome de seus pais ), o ancião olha com aquela cara de não me lembro e responde: - Sim, filhos de Joana! e sua tia diz: - Não, filhos da Dona Dolores e do José, Lembra agora?, daí sem muita escolha e com cara de que ainda não conhece, o velhinho já desistindo de reconhecer diz: - A sim to lembrando. Sua tia já emenda, deixa eu apresentar o filho(a) deles, esse aqui é o Beltrano, te apresenta e você educadamente dá a mão ou abraço e não sabe o que fazer ou falar, afinal você e o velho sabem que ele não sabe quem você é.
Mas a coisa não pára aí depois desse velhinho, sua tia segue lhe apresentando para todos que estão no velório, você parece um candidato a cadeira do Executivo Nacional (Presidente), aperta mão, abraça, beija, carrega criança e depois de familiarizar você com todos, ela te larga e parte para fazer mais uma presa, seu primo que acabou de chegar.
Lembram quando eu disse que adota-se o estilo de visita relógio cuco? Então agora eu explico, você entra olha o morto e sai, depois de uma hora entra novamente, para conferir se esrá tudo certo por ali e sai, e repete isso de uma e uma hora enquanto você ficar no velório.
Quando tudo parece calmo, você senta-se em algum lugar, e vai degustar um bom e pesado café no velório, chega sua prima com uma tropa de filhos, um de cada idade, rapidamente você não sabe se esconde-se ou se enfrenta, escolha, fique e enfrente. As crianças entram no velório como Tsunami, mexendo em tudo, gritando, se arrastando no chão, perguntando em voz alta quem morreu, outro gritando que está com fome, um outro chorando pq quer dormir e etc, mas com relação a crianças assim, será abordado em outro texto.
Superada todas os contratempos, o pesadelo está no fim, pois cansa ficar em velório e você vai embora, e na hora de ir embora vai refletindo como foi bom seu tio ter morrido, pois assim, conseguiu rever toda a família, ficou sabendo o que cada anda fazendo, deu um forte abraço naqueles que você gosta, conheceu aqueles desconhecidos que você até se questiona desde quando eles são da família, fica sabendo quem nasceu, quem casou, quem separou e quem morreu, deu uma olhada mais de perto naquela prima gostosa que só conhecia pelo orkut, fez amizades e riu muito, porque uma coisa posso dizer com propriedade e sem medo de errar, as melhores piadas você aprende num velório.
Se alguém ler e sentir que passa por isso ou sentir que o texto é ofensivo, tudo bem, relaxe, pois no seu velório vai ter piada, vai ter tudo isso e se Deus quiser se um dia chegar o meu, que no meu velório tenha open Bar de Vodka e Caipirinha e de preferência que role como música ambiente uma micareta bem alegre e muita pegação, só não vale pegar a viúva……….
Quando alguém morre, eu só sei que é assim…